2 abril 2026

Salário-maternidade em 2026: quem tem direito, qual o valor e como pedir


Tempo de leitura: 8 minutos

Se você está grávida, acabou de ter bebê, adotou uma criança ou passou por uma situação gestacional delicada, existe um ponto importante que precisa ser entendido com clareza: o salário-maternidade pode ser seu direito, mesmo fora da carteira assinada.

E é justamente aqui que muitas mulheres se confundem.

Autônoma pode receber? MEI tem direito? Desempregada perde o benefício? Precisa ter muitos meses pagos ao INSS?

A resposta, em muitos casos, é sim, você pode ter direito.

Neste guia, explicamos de forma objetiva quem pode receber o salário-maternidade em 2026, quanto o INSS paga, quais documentos reunir e o que fazer se o pedido for negado.


Resumo rápido

O salário-maternidade é um benefício previdenciário do INSS. Pode ser devido em caso de:

  • parto
  • adoção
  • guarda para fins de adoção
  • aborto previsto em lei ou espontâneo com afastamento médico
  • natimorto

Em regra, o benefício dura 120 dias. O valor muda conforme a categoria da segurada. Em 2025, o INSS passou a aplicar a isenção de carência para todas as categorias, exigindo, em regra, qualidade de segurada.


O que é o salário-maternidade?

O salário-maternidade é o benefício pago à segurada do INSS que precisa se afastar da atividade em razão da maternidade — seja por nascimento do filho, adoção, guarda judicial para adoção, aborto não criminoso ou natimorto.

Apesar de muita gente chamar de “auxílio-maternidade”, o nome técnico correto é salário-maternidade. E esse detalhe importa porque, no momento de fazer o pedido no Meu INSS, é esse o nome que aparece.


Quem tem direito ao salário-maternidade em 2026?

Em regra, pode ter direito quem mantém qualidade de segurada perante o INSS no momento do evento. Isso inclui:

  • empregada com carteira assinada
  • empregada doméstica
  • trabalhadora avulsa
  • contribuinte individual (autônoma)
  • MEI
  • segurada facultativa
  • segurada especial (trabalhadora rural)
  • desempregada em período de graça

Na prática: o que mais gera dúvida?

As maiores dúvidas costumam aparecer justamente aqui:

  • “Sou MEI, mas contribuí pouco”
  • “Estou desempregada”
  • “Paguei só recentemente”
  • “Trabalho por conta própria”
  • “Nunca tive carteira assinada, mas paguei carnê”

E a verdade é que muita mulher que teria direito acaba não pedindo por achar, equivocadamente, que não pode receber.


Quem tem direito em cada caso

1) Empregada com carteira assinada (CLT)

Se você trabalha com vínculo formal, o caminho costuma ser mais simples.

Como funciona

  • o pagamento normalmente é feito pela empresa
  • a empresa depois compensa esse valor junto ao INSS
  • o afastamento costuma ser de 120 dias
  • há estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto

Qual o valor

O valor costuma corresponder à remuneração integral. Se houver salário variável, comissão ou parte variável da remuneração, o cálculo segue a média legal aplicável.


2) Empregada doméstica

A empregada doméstica também pode receber salário-maternidade.

Como funciona

  • o pedido costuma ser feito diretamente ao INSS
  • o valor, em regra, corresponde ao último salário de contribuição
  • em caso de remuneração variável, pode haver média dos últimos salários

3) MEI, autônoma e contribuinte facultativa

Esse é um dos grupos que mais sofre com negativas indevidas.

Muita gente ainda repete a informação antiga de que seria necessário cumprir longa carência. Hoje, porém, o próprio INSS já informa a isenção de carência para todas as categorias, com base na aplicação das ADIs 2.110 e 2.111 do STF, desde que exista qualidade de segurada.

Isso significa que o foco da análise passou a ser, principalmente:

  • se você estava segurada do INSS na data do parto/adoção/evento
  • se a contribuição foi feita antes do fato gerador
  • se o CNIS está correto

Atenção importante

Contribuição feita depois do parto não costuma “criar” o direito retroativamente. Ou seja: quem paga atrasado achando que vai “abrir” o salário-maternidade depois, normalmente encontra problema.

Qual o valor

Para contribuinte individual, facultativa e desempregada em período de graça, o INSS considera, em regra, 1/12 da soma dos 12 últimos salários de contribuição dentro de um período de até 15 meses, respeitado o mínimo legal.


4) Trabalhadora rural (segurada especial)

A trabalhadora rural também pode ter direito ao salário-maternidade mesmo sem recolhimento mensal, desde que consiga comprovar o exercício da atividade rural.

Exemplos de prova

  • bloco de produtor rural
  • contrato de arrendamento ou comodato
  • declaração de sindicato/associação
  • documentos do grupo familiar
  • certidão com qualificação profissional
  • documentos do CadÚnico, quando coerentes com o caso

Qual o valor

Em regra, 1 salário mínimo por mês, salvo situações específicas em que existam contribuições que alterem a base de cálculo.

Ponto de atenção jurídico: ainda existe muito desencontro de informação administrativa sobre a carência da segurada especial em materiais antigos. Por isso, o caso concreto precisa ser analisado com cuidado, especialmente quando houve períodos urbanos, contribuição facultativa ou vínculos mistos.


5) Desempregada: ainda posso receber?

Pode, sim — em muitos casos.

Se a mulher estiver no chamado período de graça, ela pode manter a qualidade de segurada mesmo sem estar contribuindo naquele momento.

O que é período de graça?

É o tempo em que a pessoa continua protegida pelo INSS, mesmo sem recolher. Esse prazo pode variar conforme o histórico contributivo e a situação concreta.

Na prática, é uma das análises mais importantes em casos de:

  • demissão recente
  • gravidez durante o desemprego
  • contribuições interrompidas
  • pedido negado por “perda da qualidade de segurada”

Quanto tempo dura o salário-maternidade?

Em regra, a duração é de 120 dias nos casos de parto, adoção, guarda para fins de adoção e natimorto.

No caso de aborto não criminoso, o afastamento costuma ser de 14 dias, conforme indicação médica.

Em algumas situações, sobretudo quando há internação da mãe ou do recém-nascido por complicações médicas, pode haver prorrogação/adequação do período de fruição, o que precisa ser analisado de forma técnica conforme a documentação do caso.


Qual é o valor do salário-maternidade?

O valor depende da categoria da segurada.

Empregada CLT / trabalhadora avulsa: remuneração integral

Empregada doméstica: último salário de contribuição

MEI / autônoma / facultativa / desempregada: média previdenciária conforme as contribuições

Segurada especial rural: em regra, 1 salário mínimo


Como pedir o salário-maternidade no INSS

O pedido pode ser feito pelo Meu INSS, pelo telefone 135 ou, em alguns casos, com atendimento presencial mediante necessidade.

Passo a passo

  1. Acesse o Meu INSS
  2. Faça login com sua conta gov.br
  3. Clique em “Novo pedido”
  4. Pesquise por “salário-maternidade”
  5. Escolha a modalidade urbana ou rural
  6. Anexe os documentos
  7. Finalize e acompanhe em “Meus pedidos”

Quais documentos normalmente são necessários?

  • documento com foto e CPF
  • comprovante de residência
  • certidão de nascimento da criança
  • atestado médico, quando aplicável
  • termo de guarda ou sentença de adoção
  • carnês/GPS, CNIS, carteira de trabalho
  • provas da atividade rural, se for o caso

Nos casos mais sensíveis, a documentação faz toda a diferença — especialmente quando se trata de desempregadas, MEIs, autônomas, facultativas, seguradas rurais ou pedidos negados por falta de qualidade de segurada.


Até quando posso pedir?

Em regra, o pedido pode ser formulado dentro do prazo prescricional de 5 anos, contados do fato gerador. O requerimento pode ser feito, conforme o caso, a partir de 28 dias antes do parto ou após o evento.


O que fazer se o salário-maternidade for negado?

Se o INSS negou o pedido, isso não significa automaticamente que você não tem direito.

Muitas negativas acontecem por:

  • erro no CNIS
  • ausência de documento essencial
  • leitura equivocada do período de graça
  • falha na identificação da categoria da segurada
  • problema na comprovação rural
  • contribuição em código inadequado

O que pode ser feito

Dependendo do caso, é possível apresentar recurso administrativo, fazer novo requerimento mais bem instruído ou ajuizar ação judicial. E, honestamente, em muitos casos, o problema não está no direito — está na forma como o pedido foi montado.


Salário-maternidade e licença-maternidade são a mesma coisa?

Não.

Licença-maternidade é o afastamento do trabalho. Salário-maternidade é o benefício/remuneração paga durante esse período. Eles caminham juntos, mas não são a mesma coisa.


Perguntas frequentes

MEI tem direito ao salário-maternidade? Tem, desde que esteja com a situação previdenciária adequada e mantenha qualidade de segurada.

Desempregada pode receber? Pode, se ainda estiver em período de graça.

Homem pode receber salário-maternidade? Em situações específicas, sim — como em certos casos de adoção ou falecimento da segurada.

Quem adota também tem direito? Tem, inclusive em casos de guarda para fins de adoção.

É possível receber dois salários-maternidade? Pode acontecer se houver dois vínculos previdenciários distintos e compatíveis, mas isso depende da estrutura contributiva do caso.


Conclusão

O salário-maternidade parece simples no nome — mas, na prática, muita coisa pode dar errado no pedido. E isso vale especialmente para quem é autônoma, MEI, desempregada, trabalhadora rural, facultativa ou já teve o benefício negado.

Se houver dúvida sobre qualidade de segurada, período de graça, carência, valor pago ou documentos, o ideal é analisar o caso antes de confiar apenas no que o sistema do INSS mostrou.

Precisa avaliar seu caso?

Se você quer saber se tem direito ao salário-maternidade ou se o INSS negou o benefício, nossa equipe pode fazer uma análise jurídica do seu caso.

22 janeiro 2026

Compliance previdenciário: Resposta à alta de acidentes no Brasil


O incremento persistente dos acidentes de trabalho no Brasil exige não apenas políticas de prevenção mais robustas, mas também uma abordagem de compliance previdenciário que assegure o correto reconhecimento e a classificação dos benefícios devidos aos segurados.

Conforme notícia publicada no Portal Gov.br, dados do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego, extraídos do e-Social e do INSS, mostram que desde 2021 os acidentes de trabalho no país vêm crescendo de forma contínua, com elevação de 8,98% no comparativo entre os primeiros semestres de 2024 e 2025.

Esse aumento, observado apesar de uma ligeira desaceleração, confirma uma tendência preocupante e destaca fragilidades nos mecanismos de gestão de saúde e segurança do trabalho, bem como na forma como eventos acidentários são registrados e tratados no âmbito previdenciário.

 

Clique abaixo para acessar a matéria completa:

Compliance previdenciário: Resposta à alta de acidentes no Brasil

Autor: Davi Henrique Reino

Controlador Jurídico e Gestor de Expansão em Marília Lira Advogadas, Pós-Graduado em Diversas Áreas, Diretor Científico Adjunto do IBDP, Professor da BasePrev e Consultor em Gestão Estratégica

 

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